Quando Donald J. Trump conheceu Stormy Daniels, ele era um magnata casado de 60 anos no auge da fama dos reality shows, e ela, aos 27 anos, era uma nativa da Louisiana, criada na pobreza e buscando o estrelato no cinema pornô.

Mas aquele encontro casual em Lake Tahoe, Nevada, há cerca de duas décadas, está agora no centro do primeiro julgamento criminal de um presidente americano.

Esta semana, Daniels sentou-se no banco das testemunhas do julgamento de Donald Trump para contar o seu lado da história, muitas vezes com detalhes explícitos.

As acusações contra Trump decorrem do caso que os dois tiveram durante um torneio de golfe de celebridades em Lake Tahoe, em 2006. Uma história que ela queria contar uma década depois, nos últimos dias da campanha presidencial. O advogado e intermediário de longa data de Trump, Michael D. Cohen, pagou a Daniels US$ 130 mil em dinheiro antes do dia da eleição para que ela ficasse calada. O ex-presidente é acusado de falsificar registros comerciais para encobrir os reembolsos feito para Cohen desse pagamento.

Em testemunho e sob juramento, Daniels revelou detalhes íntimos sobre Trump, tão íntimos que o juiz precisou interrompê-la algumas vezes. Ele deu a entender que determinadas partes eram gratuitamente vulgares.

Daniels disse que Trump a convidou para jantar em sua suntuosa suíte de hotel em Lake Tahoe. Ele atendeu a porta vestindo pijama de seda. Ela disse que bateu nele de brincadeira com uma revista quando ele foi um pouco mais rude. E quando ela perguntou sobre sua esposa, ele disse para ela não se preocupar, afirmando que eles nem dormiam no mesmo quarto.

Daniels então contou detalhes do sexo propriamente dito. Aconteceu, disse ela, depois que ela voltou do banheiro e encontrou Trump de cueca samba-canção e camiseta. Ela tentou sair e ele bloqueou seu caminho, embora não, segundo ela, de maneira ameaçadora. O sexo foi breve, disse ela, e embora ela nunca tenha dito não, houve um “desequilíbrio de poder”.

“Eu estava olhando para o teto e me perguntando como cheguei lá”, disse ela ao júri, acrescentando que Trump não usou camisinha.

O testemunho de Daniels é um momento surpreendente na história da política americana: uma estrela pornô, em frente a um antigo e potencialmente futuro presidente, contando para o mundo sobre o que outrora foi paga para manter silêncio.

Daniels, 45 anos, já contou amplamente sua história – para promotores, repórteres, seus amigos, em um livro – mas nunca para os jurados, e não com Trump na sala, ouvindo e negando com a cabeça o que ouvia. O ex-presidente e atual candidato republicano sempre negou qualquer envolvimento com Daniels.

A ironia do destino é que Trump está sendo julgado criminalmente por uma história que começou com um pagamento para que o caso dele com Daniels não viesse à tona às vésperas das eleições presidências de 2016 no momento em que ele concorre a um segundo mandato presidencial.

Ao longo dos anos, Daniels conquistou sua fama adjacente a Trump. Ela vendeu produtos, filmou um documentário, deu entrevistas de alto nível e escreveu um livro tão revelador que incluía até descrições detalhadas da genitália do ex-presidente.

Será que dessa vez a história de Daniels mudará o curso da política americana?

Fonte: The New York Times

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