Os tumultos que tomaram conta das cidades francesas após um tiroteio da polícia chegaram à terceira noite na quinta-feira (30), depois de dias de manifestantes queimando carros, incendiando prédios, vandalizando e acendendo fogos de artifício do lado de fora das delegacias de polícia.

Na noite de quinta-feira, mais 667 pessoas foram presas, segundo o ministro do Interior da França. Ele disse também que 170 policiais ficaram feridos. A agitação ocorreu em resposta ao assassinato de um jovem de 17 anos por um policial em Nanterre, um subúrbio a oeste de Paris, na terça-feira (27).

O que desencadeou os protestos?

Na manhã de terça-feira, um policial matou a tiros um adolescente de 17 anos, identificado apenas como Nahel M., enquanto o adolescente dirigia. O promotor de Nanterre disse que Nahel estava dirigindo em uma faixa de ônibus e, quando os policiais tentaram detê-lo, ele atravessou o sinal vermelho para fugir. Ele então ficou preso no trânsito e os policiais abordaram o carro.

O promotor disse que ele foi morto por um único tiro que atravessou seu braço esquerdo e peito.

Relatos iniciais da mídia francesa, citando o que foi descrito como fontes anônimas da polícia, diziam que o adolescente havia atropelado os dois policiais no local. Mas um vídeo do tiroteio que surgiu logo depois parecia contradizer esse relato, mostrando que o policial que disparou não corria perigo imediato porque o carro estava se afastando.

Os relatos divergentes contribuíram para os protestos violentos, que afetam mais de uma dezena de cidades.

Qual é a situação do policial?

Na noite de quinta-feira, a promotoria de Nanterre anunciou que o policial havia sido colocado sob investigação formal sob a acusação de homicídio voluntário e detido.

Por que o assassinato causou tanta raiva?

O caso reviveu memórias de 2005, quando a morte de dois adolescentes fugindo da polícia desencadeou semanas de protestos violentos, com centenas de jovens dos subúrbios mais pobres de Paris ateando fogo a carros e prédios.

Nos anos seguintes, vários espancamentos da polícia e mortes sob custódia levaram a protestos e alimentaram acusações generalizadas de brutalidade policial.

O assassinado do adolescente de 17 anos foi a terceira morte este ano durante uma parada de trânsito da polícia e segue um recorde de 13 mortes no ano passado.

A maioria das vítimas é de origem negra ou árabe, segundo a agência de notícias Reuters.

Qual é a base legal para disparar durante uma parada de trânsito?

Por lei, a polícia francesa pode atirar em cinco determinadas instâncias após uma mudança na lei em 2017. Isso inclui quando o motorista ou os ocupantes de um veículo ignoram uma ordem de parada e são considerados um risco à vida ou segurança física do policial ou de outras pessoas.

No ano passado, um estudo mostrou que tiros policiais fatais contra motoristas de veículos em movimento multiplicaram-se por cinco desde que a lei foi implementada.

Das 39 pessoas mortas pela polícia em 2022, 13 eram motoristas que foram baleados por descumprir ordens.

Os críticos argumentam que o aumento de tais incidentes é um resultado direto da nova lei, que eles dizem ser muito vaga porque deixa aos policiais determinar se a recusa do motorista em obedecer representa um risco.

Alguns políticos também pediram que a lei fosse revista.

Fonte: The New York Times e BBC News

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