Mais uma história trágica abalou o final de semana nos Estados Unidos. Cinco pessoas, incluindo uma criança, foram mortos por um vizinho, numa cidade próxima à Houston, no Texas.
Cerca de 10 a 20 minutos antes do massacre, Wilson Garcia, acompanhado de dois outros homens, foi até o quintal de Francisco Oropesa para pedir que ele parasse de atirar tão perto da sua casa porque seu bebê estava dormindo, contou Garcia à CNN. Ele pediu a Oropesa que atirasse para o outro lado da propriedade. Oropesa se recusou e Garcia disse que chamaria a polícia.
“Entramos e minha esposa estava conversando com a polícia (pelo telefone). “Nós o vimos, ele estava saindo da sua propriedade quando engatilhou a arma”, relembra Garcia. “Falei para minha mulher entrar porque ele havia engatilhado a arma e poderia vir nos ameaçar. Aí minha mulher falou: ‘Você entra, acho que ele não vai atirar em mim porque eu sou mulher, vou ficar aqui na porta’”.
O atirador chegou à casa de Garcia, atirando em sua esposa, Sonia Argentina Guzman, antes de matar outros três adultos e o filho de Garcia, Daniel Enrique Laso-Guzman.
As outras vítimas foram identificadas como Diana Velázquez Alvarado, 21; Julisa Molina Rivera, 31, e José Jonathan Cásarez, 18. Daniel Enrique Laso-Guzman, filho de Garcia, tinha 9 anos.
O atirador fugiu e ainda não foi localizado pela polícia. Uma recompensa de US$ 80 mil está sendo oferecida para quem tiver qualquer pista que leve ao suspeito.
Homicídios aumentam nos EUA
Tiroteios como esse são a evidência mais recente de um aumento acentuado de homicídios – 30% desde 2019 – no país. Embora o número desse tipo de crime ainda esteja abaixo do pico de ondas de crimes anteriores, o aumento percentual é o mais acentuados em décadas.
O colunista do New York Times, David Leonhardt, analisou recentemente algumas possíveis razões para o aumento da violência gratuita entre os americanos.
Alguns estudiosos destacam as frustrações desencadeadas pelo COVID-19. Outros culpam os protestos antipoliciais que começaram com o assassinato de George Floyd e que, sem dúvida, levaram a um retrocesso no policiamento por parte de oficiais irritados com as manifestações públicas ou com medo de uma reação.
Mas nenhuma dessas explicações realmente se destaca, escreve Leonhardt.
“A onda de crimes parece muito ampla e distintamente americana para que qualquer um desses fatores seja uma explicação clara”, escreve ele.
“O mais próximo de uma resposta persuasiva vem de criminologistas e historiadores que observam que uma frustração generalizada e crescente com as condições sociais vem alimentando um sentimento de alienação, uma perda de confiança e um colapso nas normas sociais – descrito pelo falecido francês sociólogo Émile Durkheim como ‘anomia’”, continua Leonhardt.
Leonhardt cita o historiador do estado de Ohio, Randolph Roth, que concluiu, após um exame das taxas de homicídio nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, que quando as pessoas perdem a confiança no governo e nas instituições da sociedade, o crime tende a aumentar.
“O que se perde é a empatia pelos outros cidadãos – o chamado ‘sentimento de solidariedade’”, de acordo com Roth.
Leonhardt argumenta que outras estatísticas acompanham o mesmo pensamento, citando uma pesquisa da Gallup, que mostra que quase 80% dos entrevistados estavam insatisfeitos com a direção que o país estava tomando. Outras pesquisas “mostram um grau alarmante de ceticismo sobre a democracia e a abertura à violência política”.
“Combinado com a deterioração da retórica política, graças à onipresença das mídias sociais, há menos disposição para demonstrar respeito e paciência com outras pessoas cujas opiniões são diferentes”, acrescenta Leonhardt.
Enquanto isso, o aumento da violência não mostra sinais de diminuir, forçando as autoridades a tomar medidas extraordinárias em um momento em que a posse de armas disparou e alguns estados passaram a aprovar leis para permitir um acesso mais fácil a armas de fogo.
Fonte: The New York Times e CNN