Testes com mais de duas dúzias de marcas de “gomas” de melatonina vendidas como suplementos para dormir mostraram que algumas continham quantidades potencialmente perigosas do hormônio que ajuda a regular o sono.
Segundo o estudo da Cambridge Health Alliance, uma marca continha 347% mais melatonina do que o que estava realmente listado no rótulo do suplemento. Uma outra listava a melatonina como ingrediente, mas não continha melatonina alguma, apenas cannabidiol (CBD).
De acordo com a Food and Drug Administration dos EUA (FDA), “atualmente é ilegal comercializar o CBD adicionando-o a um alimento ou rotulando-o como um suplemento dietético”. No entanto, vários dos produtos testados contendo CBD anunciaram abertamente a adição desse composto ao suplemento.
Quatro dos produtos testados continham níveis de CBD entre 4% e 18% acima do que o rótulo descrevia, segundo o estudo.
O uso de CBD em produtos de venda livre é particularmente preocupante porque pais podem comprar essas gomas para dar aos filhos para ajudá-los a dormir.
Além da presença do CBD, consumir uma goma que contém níveis extremamente altos de melatonina – bem acima dos 0,5 a 1 miligrama diários por noite suficientes para induzir o sono em crianças – também é perigoso.
Os efeitos colaterais do uso de melatonina em crianças podem incluir sonolência, dores de cabeça, agitação e disfunção urinária noturna. Há também o potencial de interações prejudiciais com medicamentos e reações alérgicas à melatonina, de acordo com o Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa.
O Centro também adverte que os suplementos podem afetar o desenvolvimento hormonal, “incluindo puberdade, ciclos menstruais e superprodução do hormônio prolactina”, que causa o desenvolvimento de mama e leite em mulheres.
Um relatório de 2022 do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA descobriu que as chamadas de emergência por causa de envenenamento ocasionado pela ingestão de melatonina por crianças aumentaram 530% entre 2012 e 2021. O maior pico de chamadas – 38% – ocorreu entre 2019 e 2020.
O novo estudo descobriu que 88% das gomas analisadas foram rotuladas incorretamente e apenas três continham uma quantidade de melatonina que estava dentro dos 10% listado no rótulo.
E por incrível que pareça, de acordo com a lei atual, o FDA não tem autoridade para aprovar suplementos antes de serem comercializados. São os próprios fabricantes que têm a responsabilidade de garantir que seus produtos não estejam adulterados ou com informações incorretas antes de serem distribuídos.
Ou seja, cabe ao consumidor se informar bastante antes de ingerir esses suplementos, principalmente, consultando um médico, que poderá avaliar se o suplemento é realmente necessário, em que quantidade, e de qual fabricante.
Certifique-se de que o frasco possui o selo da United States Pharmacopeia (USP), que os fabricantes contratam para testar e verificar os produtos. Se tiver um selo da USP, é provável que o produto esteja rotulado com precisão.
Fonte: CNN